
A data mais importante sobre a relação entre o Brasil e o Japão é o Dia Nacional da Imigração Japonesa, celebrado em 18 de junho, na qual marca a chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos em 1908, trazendo os primeiros imigrantes japoneses para o Brasil. É uma oportunidade para homenagear a contribuição dos imigrantes e seus descendentes para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país.
Em sua tese de doutorado – Do “Perigo Amarelo” à “Minoria Modelo”: a Imigração Japonesa no Pós-Guerra Brasileiro -, o sociólogo Bruno Naomassa Hayashi analisa como a percepção da sociedade brasileira sobre os japoneses se transformou ao longo do século XX. Inicialmente vistos com desconfiança e alvo de discursos que os classificavam como uma ameaça à identidade nacional — o chamado “perigo amarelo” —, os japoneses enfrentaram restrições migratórias, preconceitos e políticas discriminatórias, especialmente durante o período da Segunda Guerra Mundial. Nas décadas de 1940 e 1950, ocorreu uma profunda mudança nessa visão. Aquela imigração antes considerada indesejada passou a ser valorizada e celebrada. Um marco desse processo foi a comemoração oficial do Cinquentenário da Imigração Japonesa, realizada em 1958 no Congresso Nacional, evidenciando o reconhecimento das contribuições da comunidade japonesa para o Brasil.
Ao celebrarmos o Dia da Imigração Japonesa, somos convidados não apenas a reconhecer as conquistas e contribuições da comunidade nikkei, mas também a refletir sobre sua trajetória histórica, marcada pela superação de preconceitos, pela construção de pontes culturais e pela participação ativa na formação da sociedade brasileira. A história da imigração japonesa é, acima de tudo, uma história de trabalho, resiliência, integração e contribuição para o Brasil — um legado que continua sendo construído por sucessivas gerações de nikkeis em todas as regiões do país.
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